As fadas...eu creio nelas!
Antero de Quental
Nós também cremos no poder transformador das histórias.
O tema do MIBE, este ano, quis apontar para isso mesmo. Já Einstein o afirmou também:
Se quiser que os seus filhos sejam brilhantes, leia contos de fadas para eles. Se quiser que sejam ainda mais brilhantes, leia ainda mais contos de fadas.
Por isso lemos e demos a ler muitos contos de fadas e histórias tradicionais de vários locais no mundo.
Cada turma recebeu uma caixinha com um conto que foi lido durante o dia 25 deste mês.
A CIGARRA E A FORMIGA (versão tradicional)
A cigarra, tendo cantado durante todo o Verão,
Encontrava-se sem uma migalha de pão
Quando o vento frio chegou.
Nem um pedaço de mosca,
Ou outro verme qualquer.
E, de fome a gritar,
Vai à porta da formiga tocar.
Implora que lhe empreste
Um grão qualquer que a alimente
Até à estação seguinte.
Depois de o frio passar,
-Vou poder pagar - disse ela -,
O juro e o capital.
Palavra de animal.
-Que fizeste, durante o tempo quente? -
Perguntou a formiga à cigarra indigente.
-Noite e dia sem descanso
Ao desafio cantei para te alegrar.
-Ah! Cantaste? Pois bem
trata agora de dançar
Jean de la Fontaine
As mais belas fábulas de La Fontaine, Civilização.
A CIGARRA E A FORMIGA
Tendo a cigarra em cantigas
Folgado todo o verão,
Achou-se em penúria extrema
Na tormentosa estação.
Não lhe restando migalha
Que trincasse, a tagarela
Foi valer-se da formiga,
Que morava perto dela.
Rogou-lhe que lhe emprestasse,
Pois tinha riqueza e brio,
Algum grão com que manter-se
Té voltar o aceso estio.
A formiga nunca empresta,
Nunca dá por isso junta.
"No verão em que lidavas?"
À pedinte ela pergunta.
Responde a outra: "Eu cantava
Noite e dia, a toda a hora.
- "Oh! bravo! - torna a formiga -
Cantavas? Pois dança agora!"
Jean de la Fontaine
(Versão de Bocage)
FÁBULA DA FÁBULA
A Cigarra e a Formiga- La Fontaine
Era uma vez
uma fábula fabulosa,
Alimentícia
E moralizadora,
Que, em verso e prosa,
Toda a gente
Inteligente
Prudente
E sabedora
Repetia
Aos filhos,
Aos netos
E aos bisnetos
À base duns insectos
De que não vale a pena fixar o nome,
A fábula garantia
Que quem cantava
Morria
De fome.
E, realmente…
Simplesmente,
Enquanto a fábula contava,
Um demónio secreto segredava
Ao ouvido secreto
De cada criatura
Que quem não cantava
Morria de fartura
MigueL Torga
Diário VIII, 1956
No primeiro ciclo, os alunos receberam estes contos pela mão das coordenadoras e algumas ofereceram-se mesmo para o lerem...







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