ANA DE CASTRO OSÓRIO
(1872-1935)
Ana de Castro Osório nasceu em Mangualde
em 1872, numa família culta. O seu pai e o irmão eram homens de letras e
fizeram carreira na magistratura. Ana viveu em Setúbal e lá começou a publicar
os seus primeiros artigos. Aos vinte e seis anos casou com Paulino Oliveira,
membro do Partido Republicano, e colaborou com Afonso Costa, ministro da
justiça, na elaboração da Lei do Divórcio.
Ana, que foi escritora, jornalista,
ativista e pedagoga, é ainda considerada a “criadora” da literatura infantil em
Portugal, tendo realizado uma enorme recolha dos
contos da tradição oral do país, e publicado inúmeros volumes de histórias para
crianças, além de ter traduzido e publicado os contos dos irmãos Grimm e muitos
outros autores estrangeiros de literatura para crianças. Criou ainda manuais
escolares para o 1º ciclo.
Mas foi como pioneira
na luta pela igualdade entre homem e mulher e como sufragista que se tornou mais
conhecida. Foi uma das fundadoras do Grupo Português de Estudos Feministas e da
Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, entre outras associações de defesa
dos direitos das mulheres. Publicou, em 1905, Às Mulheres Portuguesas, o primeiro manifesto
feminista português. Pertenceu à maçonaria e foi subinspetora dos Trabalhos
Técnicos Femininos.
Esta grande portuguesa,
uma mulher muito à frente do seu tempo, morreu em Lisboa em 18 de junho de
1935.
Recebeu, entre outras condecorações, a
Ordem Militar de Sant'Iago da Espada (1919) e a Ordem Civil do Mérito Agrícola
e Industrial (1931).
Nelson Mandela
(1918 - 2013)
Nascido numa
família da nobreza tribal, Nelson Rolihlahla Mandela era filho de um chefe do clã dos Madiba. Órfão de pai
aos nove anos, Mandela é enviado para a escola. Após a conclusão dos estudos
secundários, ingressa na faculdade de Direito.
Logo no primeiro
ano do seu curso, começou a sua luta contra o regime do apartheid, regime que
segregava os negros, a quem não era reconhecida a maioria dos direitos
políticos, económicos e sociais. Líder de um movimento estudantil que militava
contra as políticas segregacionistas, foi expulso da universidade e terminou o
curso de Direito por correspondência.
Aos
24 anos uniu-se ao Congresso Nacional Africano (CNA) onde se foi tornando cada
vez mais ativo na luta contra o apartheid.
Como
a polícia segregava e abria fogo sobre os manifestantes negros, o CNA passa ao
combate armado e Mandela torna-se comandante, promovendo campanhas de sabotagem
contra alvos governamentais e militares. É preso e condenado a cinco anos de
prisão. Evade-se, mas é novamente preso e condenado, desta vez, a prisão
perpétua.
Na
prisão, onde fica durante vinte e sete anos confinado a uma minúscula cela, a
46664, Nelson Mandela vai tornar-se um símbolo universal da luta contra o
apartheid. Várias campanhas internacionais tentam conseguir a sua libertação, o
que só vem a acontecer em 1990, por ordem do então presidente da África do Sul,
Frederik de Klerk, que viria a ganhar, a meias com Mandela, o Prémio Nobel da
Paz, em 1993.
Em
1991 Mandela é eleito presidente do CNA. Em 1994 torna-se o primeiro presidente
negro da África do Sul. Muito importante é a sua ação no sentido de que o povo
sul-africano se entenda, sem que haja vinganças ou represálias.
Quando
terminou o seu mandato presidencial, Nelson Mandela dedicou-se a causas sociais
e de defesa dos Direitos Humanos.
Reconhecido
internacionalmente, foi recebendo inúmeras condecorações um pouco por todo o
lado, do Reino Unido aos Estados Unidos, passando pela Índia e o Canadá.
A ONU
instituiu, a partir de 2010, o dia 18 de Julho de cada ano como o Dia
Internacional Nelson Mandela (dia do seu nascimento), como forma de valorizar
em todo o mundo a luta pela liberdade, pela justiça e pela democracia.
Faleceu
aos noventa e cinco anos, em 2013.
São
suas estas sábias palavras: «Sonho com o dia em que todas as pessoas
levantar-se--ão e compreenderão que foram feitas para viverem como irmãos».