03 novembro 2020

Personalidade do mês de novembro

 Cecília Meireles


Cecília Meireles nasceu no Rio de Janeiro no dia 7 de novembro de 1901.

Como o pai faleceu antes dela nascer e a sua mãe quando tinha apenas três aninhos, a menina foi criada e educada pela avó, uma senhora açoriana muito religiosa.

Cecília revelou grande interesse pela escrita e pela literatura desde muito novinha: aos nove anos já escrevia poesia e em 1919, com apenas dezoito anos, lançou seu primeiro livro de poemas, "Espectros".

Foi uma aluna brilhante e formou-se como professora no “Curso Normal do Instituto de Educação do Rio de Janeiro”.

Casou muito nova, com apenas 21 anos, e teve três filhas. Mas o seu primeiro marido faleceu e Cecília voltou a casar.

Para além de professora, esta grande mulher dedicou-se ao jornalismo e às questões da educação. Outra faceta menos conhecida desta importante figura da cultura brasileira, é a de pintora com obra de qualidade. Em paralelo ia escrevendo a sua obra poética, mas também em prosa.

Toda a sua poesia revela uma grande sensibilidade e espiritualidade; os temas femininos, a infância, o folclore, a história atravessam a obra desta maravilhosa escritora.

Recebeu vários prémios pela qualidade da sua escrita, entre eles o Prémio de poesia Olavo Bilac, o Prémio Jabuti e o Prémio Machado de Assis.

Reconhecida mundialmente, as suas obras foram traduzidas para muitas línguas.

Além disso, realizou palestras e conferências sobre educação, literatura brasileira, teoria literária e folclore, em diversos países do mundo. Esteve em Portugal e foi professora de Literatura numa universidade dos Estados Unidos da América.

Cecília Meireles faleceu na sua cidade natal, dia 9 de novembro de 1964, com 63 anos, vítima de cancro.

Se quiseres, podes ler na nossa biblioteca a recolha de poemas para a infância “Ou isto ou aquilo”.

Curiosidades


·         Em 1934, Cecília Meireles funda a primeira Biblioteca Infantil do Brasil, no bairro do Botafogo, no Rio de Janeiro.

·         No Chile, foi inaugurada a “Biblioteca Cecília Meireles” em 1964 na província de Valparaíso.

·         Em 1953, Cecília Meireles recebeu o título de “Doutora Honoris Causa” pela Universidade de Dehli, na Índia.

·         Em 1989 foi homenageada pelo Estado brasileiro, que imprimiu a sua figura na nota de 100 cruzados novos.


Alguns poemas 

Motivo

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.


Ou isto ou aquilo


Ou se tem chuva e não se tem sol,

ou se tem sol e não se tem chuva!

 

Ou se calça a luva e não se põe o anel,

ou se põe o anel e não se calça a luva!

 

Quem sobe nos ares não fica no chão,

quem fica no chão não sobe nos ares.

 

É uma grande pena que não se possa

estar ao mesmo tempo nos dois lugares!

 

Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,

ou compro o doce e gasto o dinheiro.

 

Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo…

e vivo escolhendo o dia inteiro!

 

Não sei se brinco, não sei se estudo,

se saio correndo ou fico tranquilo.

 

Mas não consegui entender ainda

qual é melhor: se é isto ou aquilo.

 

Retrato

 

Eu não tinha este rosto de hoje,

Assim calmo, assim triste, assim magro,

Nem estes olhos tão vazios,

Nem o lábio amargo.

 

Eu não tinha estas mãos sem força,

Tão paradas e frias e mortas;

Eu não tinha este coração

Que nem se mostra.

 

Eu não dei por esta mudança,

Tão simples, tão certa, tão fácil:

— Em que espelho ficou perdida

a minha face?


A Bailarina

Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.
Não conhece nem dó nem ré
mas sabe ficar na ponta do pé.

Não conhece nem mi nem fá
Mas inclina o corpo para cá e para lá

Não conhece nem lá nem si,
mas fecha os olhos e sorri.

Roda, roda, roda, com os bracinhos no ar
e não fica tonta nem sai do lugar.

Põe no cabelo uma estrela e um véu
e diz que caiu do céu.

Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.

Mas depois esquece todas as danças,
e também quer dormir como as outras crianças.


Algumas Obras


·         Espectros (1919)

·         Criança, meu amor (1923)

·         Nunca mais... e Poemas dos Poemas (1923)

·         Criança meu amor... (1924)

·         Baladas para El-Rei (1925)

·         O Espírito Vitorioso (1929)

·         Saudação à menina de Portugal (1930)

·         Batuque, Samba e Macumba (1935)

·         A Festa das Letras (1937)

·         Viagem (1939)

·         Vaga Música (1942)

·         Mar Absoluto (1945)

·         Rute e Alberto (1945)

·         O jardim (1947)

·         Retrato Natural (1949)

·         Problemas de Literatura Infantil (1950)

·         Amor em Leonoreta (1952)

·         Romanceiro da Inconfidência (1953)

·         Batuque (1953)

·         Pequeno Oratório de Santa Clara (1955)

·         Pistóia, Cemitério Militar Brasileiro (1955)

·         Panorama Folclórico de Açores (1955)

·         Canções (1956)

·         Romance de Santa Cecília (1957)

·         A Bíblia na Literatura Brasileira (1957)

·         A Rosa (1957)

·         Obra Poética (1958)

·         Metal Rosicler (1960)

·         Poemas Escritos na Índia (1961)

·         Poemas de Israel (1963)

·         Solombra (1963)

·         Ou Isto ou Aquilo (1964)

·         Escolha o Seu Sonho (1964)

 

Fontes:

https://www.todamateria.com.br/cecilia-meireles

Fotos:

https://bit.ly/35SvlMU

https://bit.ly/3mOw3BI

https://bit.ly/32b7RBL

https://bit.ly/2TLOEC2







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