Cecília Meireles
Cecília Meireles
nasceu no Rio de Janeiro no dia 7 de novembro de 1901.
Como o pai faleceu antes dela nascer e a sua mãe quando tinha apenas três
aninhos, a menina foi criada e educada pela avó, uma senhora açoriana muito
religiosa.
Cecília revelou grande interesse pela escrita e pela literatura desde muito
novinha: aos nove anos já escrevia poesia e em 1919, com apenas dezoito anos,
lançou seu primeiro livro de poemas, "Espectros".
Foi uma aluna brilhante e formou-se como
professora no “Curso Normal do Instituto de Educação do Rio de Janeiro”.
Casou muito nova, com apenas 21 anos, e teve três filhas. Mas o seu
primeiro marido faleceu e Cecília voltou a casar.
Toda a sua poesia revela uma grande
sensibilidade e espiritualidade; os temas femininos, a infância, o folclore, a
história atravessam a obra desta maravilhosa escritora.
Recebeu vários prémios pela qualidade da sua escrita, entre eles o Prémio
de poesia Olavo Bilac, o Prémio Jabuti e o Prémio Machado de
Assis.
Reconhecida
mundialmente, as suas obras foram traduzidas para muitas línguas.
Além disso,
realizou palestras e conferências sobre educação, literatura brasileira, teoria
literária e folclore, em diversos países do mundo. Esteve em Portugal e foi
professora de Literatura numa universidade dos Estados Unidos da América.
Cecília
Meireles faleceu na sua cidade natal, dia 9 de novembro de 1964, com 63 anos, vítima
de cancro.
Se quiseres, podes ler na nossa biblioteca a recolha de poemas para a infância “Ou isto ou aquilo”.
Curiosidades
·
Em 1934,
Cecília Meireles funda a primeira Biblioteca Infantil do Brasil, no bairro do
Botafogo, no Rio de Janeiro.
·
No Chile, foi
inaugurada a “Biblioteca Cecília Meireles” em 1964 na província de Valparaíso.
·
Em 1953,
Cecília Meireles recebeu o título de “Doutora Honoris Causa” pela
Universidade de Dehli, na Índia.
·
Em 1989 foi
homenageada pelo Estado brasileiro, que imprimiu a sua figura na nota de 100
cruzados novos.
Motivo
Eu
canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
Irmão
das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se
desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei
que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.
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Ou se tem
chuva e não se tem sol,
ou se tem sol
e não se tem chuva!
Ou se calça a
luva e não se põe o anel,
ou se põe o
anel e não se calça a luva!
Quem sobe nos
ares não fica no chão,
quem fica no
chão não sobe nos ares.
É uma grande
pena que não se possa
estar ao
mesmo tempo nos dois lugares!
Ou guardo o
dinheiro e não compro o doce,
ou compro o
doce e gasto o dinheiro.
Ou isto ou
aquilo: ou isto ou aquilo…
e vivo
escolhendo o dia inteiro!
Não sei se
brinco, não sei se estudo,
se saio
correndo ou fico tranquilo.
Mas não
consegui entender ainda
qual é
melhor: se é isto ou aquilo.
Retrato
Eu não tinha
este rosto de hoje,
Assim calmo,
assim triste, assim magro,
Nem estes
olhos tão vazios,
Nem o lábio
amargo.
Eu não tinha
estas mãos sem força,
Tão paradas e
frias e mortas;
Eu não tinha
este coração
Que nem se
mostra.
Eu não dei
por esta mudança,
Tão simples,
tão certa, tão fácil:
— Em que
espelho ficou perdida
a minha face?
A Bailarina
Esta
menina
tão pequenina
quer ser bailarina.
Não conhece nem dó nem ré
mas sabe ficar na ponta do pé.
Não conhece nem mi nem fá
Mas inclina o corpo para cá e para lá
Não conhece nem lá nem si,
mas fecha os olhos e sorri.
Roda, roda, roda, com os bracinhos no ar
e não fica tonta nem sai do lugar.
Põe no cabelo uma estrela e um véu
e diz que caiu do céu.
Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.
Mas depois esquece todas as danças,
e também quer dormir como as outras crianças.
Algumas Obras
·
Espectros
(1919)
·
Criança, meu
amor (1923)
·
Nunca mais...
e Poemas dos Poemas (1923)
·
Criança meu
amor... (1924)
·
Baladas para
El-Rei (1925)
·
O Espírito
Vitorioso (1929)
·
Saudação à
menina de Portugal (1930)
·
Batuque,
Samba e Macumba (1935)
·
A Festa das
Letras (1937)
·
Viagem (1939)
·
Vaga Música
(1942)
·
Mar Absoluto
(1945)
·
Rute e Alberto
(1945)
·
O jardim
(1947)
·
Retrato
Natural (1949)
·
Problemas de
Literatura Infantil (1950)
·
Amor em
Leonoreta (1952)
·
Romanceiro da
Inconfidência (1953)
·
Batuque
(1953)
·
Pequeno
Oratório de Santa Clara (1955)
·
Pistóia,
Cemitério Militar Brasileiro (1955)
·
Panorama
Folclórico de Açores (1955)
·
Canções
(1956)
·
Romance de
Santa Cecília (1957)
·
A Bíblia na
Literatura Brasileira (1957)
·
A Rosa (1957)
·
Obra Poética
(1958)
·
Metal
Rosicler (1960)
·
Poemas
Escritos na Índia (1961)
·
Poemas de
Israel (1963)
·
Solombra
(1963)
·
Ou Isto ou
Aquilo (1964)
·
Escolha o Seu
Sonho (1964)
Fontes:
https://www.todamateria.com.br/cecilia-meireles
Fotos:




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