18 janeiro 2020

Miguel Torga: para sempre

Vinte cinco anos passaram desde a morte de Miguel Torga. Ficamos mais frágeis porque, por vezes, passam-se várias gerações até que apareçam poetas que, com as palavras de todos os dias digam, como que por magia, aquilo que não sabemos que sentimos. São as Majestades.



Majestade

Passa um rei — é o Poeta.
Não pela força de mandar,
Mas pela graça mágica e secreta
De imaginar.
O ceptro, a pena — a lançadeira cega
Do seu tear de versos.
O manto, a pele — arminho onde se pega
A lama dos caminhos mais diversos.

Um grande soberano
No seu triste destino
De ser um monstro humano
Por direito divino.

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