18 setembro 2019

Boas-vindas



Neste início de ano deixamos um poema de Manuel António Pina pensando nas coisas que por vezes não há, mas só depende de nós fazê-las existir: o amor, a atenção aos outros, a solidariedade, o carinho.

Coisas que não há que há

Uma coisa que me põe triste
é que não exista o que não existe.
(Se é que não existe, e isto é que existe!)
Há tantas coisas bonitas que não há:
coisas que não há, gente que não há.
bichos que já houve e já não há,
livros por ler, coisas por ver,
feitos desfeitos, outros feitos por fazer,
pessoas tão boas ainda por nascer
e outras que morreram há tanto tempo!
Tantas lembranças de que não me lembro,
sítios que não sei, invenções que não invento,
gente de vidro e de vento, países por achar,
paisagens, plantas, jardins de ar,
tudo o que eu nem posso imaginar
porque se o imaginasse já existia
embora num lugar onde só eu ia..


 Deixamos também uma porta  semiaberta pensando em tudo que neste ano letivo poderá entrar por ela, mas com cuidado, vigiando, refletindo,  deixando passar apenas o que é realmente bom e importante.



BOM ANO!




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