21 março 2017

Dia da poesia


 O que é a poesia?

Lawrence Ferlinghetti responde:


 A poesia é tudo o que nasceu com asas a cantar. 

É  o que existe nas entrelinhas.

É um fragmento palpitante de vida interior, uma música sem amarras.                                                                                                                    
É um barco de papel na inundação do desconsolo espiritual.
A poesia diz o indizível. Pronuncia o impronunciável  suspiro do coração.



Mas também está nas coisas simples...


É  o cabelo cor de palha de Helena

É o roçagar das borboletas quando voam em torno da chama.

 Um girassol embriagado de luz espalhando sementes de poemas

É o sol a derramar-se sobre as malhas da manhã.


 Ferlinghetti,  Lawrence, A Poesia como Arte Insurgente,Relógio d' Água, 2016








Eugénio de Andrade  diz que:



Toda a poesia é luminosa,
até
a mais obscura.
O leitor é que tem às vezes,
em lugar de sol, nevoeiro dentro de si.
E o nevoeiro nunca deixa ver claro.
Se regressar
outra vez e outra vez
e outra vez
a essas sílabas acesas
ficará cego de tanta claridade.
Abençoado seja se lá chegar.


Vem à biblioteca, pega num livro e lê um poema  porque ele é  um olhar penetrante sobre o verdadeiro coração das coisas. 
                                                                             (Lawrence Ferlinghetti)



                








20 março 2017

Prenda

A biblioteca escolar recebeu uma bela prenda do grupo disciplinar de português: o último livro de Ondjaki, O convidador de pirilampos.


Em noites de lua nova, quando o céu finge estar só vestido de nudez, brilham penduradas as estrelas, pequenas e belas.



Assim começa esta bela história de um menino que, como quase todos os meninos, tem medo do escuro.
 Por isso, inventava processos de captar pirilampos e deste modo enfrentar a escuridão da Floresta Grande.  
Acompanhava as suas invenções o Avó, que  comia laranjas cheirosas depois de as descascar com o seu canivete e tentava perceber o que o neto "cientistava".

Procura esta novidade na biblioteca!



Poeta do mês

No mês da poesia destacamos uma mestre da língua portuguesa que, com as palavras de todos os dias, soube transmitir o que vai na alma de muitos de nós. 


MATILDE ROSA ARAÚJO



Ficcionista, poetisa, cronista e pedagoga, Matilde Rosa Araújo nasceu em Lisboa a 20 de Junho de 1921. Estudou em casa com professores particulares, até ter entrado na Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa, onde se licenciou, em 1945, em Filologia Românica, com uma tese sobre jornalismo. Depois, foi professora do ensino técnico profissional em várias cidades do país, tendo ficado efetiva no Porto. Foi também professora do primeiro curso de Literatura para a Infância, na Escola do Magistério Primário de Lisboa. Enquanto estudante, foi aluna de Jacinto do Prado Coelho e Vitorino Nemésio e colega de Sebastião da Gama, Luísa Dacosta, David Mourão-Ferreira e Urbano Tavares Rodrigues.
Autora de livros de contos e poesia para adultos e de mais de duas dezenas de livros de contos e poesia para crianças - como "O Sol e o Menino dos Pés Frios", "História de uma Flor" e "O Reino das Sete Pontas" - dedicou-se intensamente à defesa dos direitos das crianças através da publicação de livros e de intervenções em organismos com atividade nesta área, como a UNICEF em Portugal, tendo sido uma das fundadoras do comité português desta organização.
Publicou o seu primeiro livro em 1943, A Garrana, e com ele obteve o 1º prémio de um concurso literário.
Para crianças, começou a publicar em 1956. “O Livro da Tila” marca o início de uma importante obra para os mais novos, de grande qualidade e variedade. Colaborou com inúmeras publicações e organizou antologias centradas na criança, nos seus direitos e nas suas condições de vida. Pelo conjunto da sua obra, recebeu em 1980 o Grande Prémio de Literatura Infantil, da Fundação Calouste Gulbenkian que, em 1996, tornou a distingui-la pelo livro de poemas “As Fadas Verdes”, ao considerá-lo o melhor livro para a infância publicado no biénio 1994-1995. Recebeu o grau de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique e, em maio de 2004, foi distinguida com o Prémio Carreira, da Sociedade Portuguesa de Autores.
Matilde Rosa Araújo faleceu em 2010, com 89 anos. Dizia ela que escrevia para crianças porque foram elas que a ensinaram: "uma comunicação, talvez a conjugação viva, em escrita, do verbo amar. Isto é esquisito...".
Não deixes de vir conhecer esta importante escritora da nossa língua!

SUGERIMOS









Destes dois últimos  livros, escolhemos dois poemas: 

PASTOR

Meu cão.
Seus olhos castanhos
Tamanhos
De compreensão.

Meu cão:
Seus olhos castanhos
Tamanhos 
De mansidão.

Seu nome é Pastor:
Seus olhos castanhos
Tamanhos 
De amor.
 Matide Rosa Araújo, O livro da Tila, 1973


UM AMIGO

Esta noite deitei-me triste.
Abri um livro, passei uma folha, outra folha.
Quando cheguei ao fim tinha o coração cheio
                                                               de folhas e de flores...

Matide Rosa Araújo, O Cantar da Tila, 1973





14 março 2017

Ou isto ou aquilo

 Desta vez foi a turma do 2.ºB da Escola Básica das Devesas a ilustrar alguns poemas da Cecília Meireles.

Com as ilustrações fizemos um livro digital.






https://pt.calameo.com/read/000343764fe04f29475df








Parabéns, 2.ºB!

08 março 2017

Dia internacional da Mulher



Todas as deusas são mulheres ausentes.
                                                                                                                                  
                                                                                                                                                   Miguel Torga

O Nascimento de Vénus, Sandro Botticelli



Transfiguração

Tens agora
outro rosto, outra beleza:
Um rosto que é preciso imaginar,
E uma beleza mais furtiva ainda...
Assim te modelaram caprichosas,
Mãos irreais que tornam irreal
O barro que nos foge da retina.
Barro que em ti passou de luz carnal
A bruma feminina...

Mas nesse novo encanto
Te conjuro
Que permaneças.
Distante e preservada na distância.
Olímpica recusa, disfarçada
De terrena promessa
Feita aos olhos tentados e descrentes.
Nenhum mito regressa....
Todas as deusas são mulheres ausentes...

Miguel Torga

 

01 março 2017

Encontro intergeracional

Mais uma vez, os alunos do 3ºC da Escola Básica das Devesas conviveram com os utentes do Lar Almeida Costa. 
No dia 19, à tarde, os alunos foram ao lar e apresentaram uma dramatização de “O sapo apaixonado”, atividade alusiva ao mês dos afetos.





 E afeto foi o que se gerou com a partilha, os gestos e os sorrisos de mais novos e mais velhos. 





Depois disso, os alunos foram convidados jogar os jogos de antigamente: ao pião, com a bola de trapos, com as pedrinhas, com a bicicleta de pau. 



No fim, é claro, a troca de prendas e o lanche partilhado!

Ou isto ou aquilo - um olhar


Os alunos da Escola Básica das Devesas já ilustraram alguns dos poemas de Cecília Meireles e com eles fizemos um livrinho digital






https://pt.calameo.com/read/000343764e3313c08c2ae