17 maio 2012
11 maio 2012
Concurso de Poesia Interescolas de Gaia
Escola Básica Dr. Costa Matos
Concurso De Poesia Interescolas de Gaia 2012
VENCEDORAS
Escalão E - Francisca Meireles de Albuquerque, 9º B, nº8
Menção Honrosa
Um sorriso, sorrir…
É o ato de rir sem fazer ruído,
Contraindo os músculos da boca e dos olhos.
É aquele momento
Que pode dizer tão pouco, mas tanto…
Mas um sorriso muda tudo;
Muda o dia,
Muda a noite,
Muda a forma como se vê as coisas.
Muda a tristeza,
Transformando-a, na grande parte das vezes,
Em alegria.
Muda-me a mim
E muda-te a ti.
Muda-nos a todos.
Para mim é
Das melhores coisas da vida.
Preciso de sorrir para viver
Quase tanto como preciso de água.
Se pensarmos bem
Um sorriso mata a sede da alegria.
Um sorriso pode ser
Meigo, envergonhado,
Irónico, espalhafatoso,
Cínico, espantado.
Contudo um sorriso
É sempre feliz.
Sorrir é como contar uma história.
Sorrir é saber apreciar os bons momentos.
Sorrir é das melhores curas para tudo.
Sorrir é saber viver.
Ao sorrir parece
Que nos tiram um peso de cima;
Que voltamos a respirar
Depois de nos terem cortado a respiração;
Que a perfeição existe.
Um sorriso, sorrir…
Das melhores coisas da vida.
Escalão M - Alice Maria Santos Magalhães
Menção Honrosa
Amizade
A amizade
são sonhos, são joias
raras e preciosas,
quando, no tempo da tempestade,
me aceitam como eu sou.
Pois ela não morre,
ela dorme,
para acordar mais bela de que nunca.
A amizade,
por mais breve que seja,
nunca se esquece.
A amizade
é o ingrediente mais importante
na receita da nossa vida.
Parabéns!
A cerimónia de atribuição de prémios é no dia 30 de maio, na Biblioteca Municipal de VNG.
Concurso de Leitura Expressiva-Vencedores
Escola Básica Dr. Costa Matos
ALUNAS VENCEDORAS
5º Ano - Joana
Fernandes, Turma F, nº 18
6º Ano – Matilde
Oliveira, Turma A, nº 21
7º Ano – Ana Sofia,
Turma G, nº 2
8º Ano – Jéssica
Oliveira, Turma C, nº 10
9º Ano – Maria Igésias,
Turma B, nº 14
Parabéns!
A entrega dos prémios realizar-se-á na Sessão de Poesia, no
dia 18 de maio, pelas 21 horas, na Biblioteca.
05 maio 2012
Dia da Mãe (6 de Maio)
daniel faria / as mulheres aspiram a casa para dentro dos pulmões
.
.
As mulheres - ainda que as casas apresentem os telhados inclinados
Ao peso dos pássaros que se abrigam.
Transformam-se em escadas
Muitas mulheres transformam-se em paisagens
Em árvores cheias de crianças trepando que se penduram
Nos ramos - no pescoço das mães - ainda que as árvores irradiem
Cheias de rebentos
As mulheres aspiram para dentro
E geram continuamente. Transformam-se em pomares.
Elas arrumam a casa
Elas põem a mesa
Ao redor do coração.
.
As mulheres aspiram a casa para dentro dos pulmões
E muitas transformam-se em árvores cheias de ninhos - digo, As mulheres - ainda que as casas apresentem os telhados inclinados
Ao peso dos pássaros que se abrigam.
É à janela dos filhos que as mulheres respiram
Sentadas nos degraus olhando para eles e muitas Transformam-se em escadas
Muitas mulheres transformam-se em paisagens
Em árvores cheias de crianças trepando que se penduram
Nos ramos - no pescoço das mães - ainda que as árvores irradiem
Cheias de rebentos
As mulheres aspiram para dentro
E geram continuamente. Transformam-se em pomares.
Elas arrumam a casa
Elas põem a mesa
Ao redor do coração.
20 abril 2012
Concurso de Leitura Expressiva
Concurso de Leitura Expressiva
3/05/12
(quinta feira)
2º Ciclo-10:00
3ºCiclo-15:15
Concurso de Leitura Expressiva
5º Ano
O Rapaz da Bicicleta de Vento
Dos camiões, dos automóveis de corrida, dos desenhos animados, dos cowboys, dos índios – não gosta. São falsos, imitam o que não são e impedem que se capte a cor, o perfume e a textura verdadeira das coisas.
Dos jogos virtuais, do computador, do mp3 e da playstation – também não gosta. Considera-os pouco imaginativos, sendo apenas uma artimanha que lhe prende o pensamento às imagens, às palavras e aos sons.
Do que o rapaz gosta mesmo é da imaginação, essa ilusão que dispensa a matéria. Não é preciso ter nada, coisas, materiais, ferramentas; basta fechar os olhos e sonhar.
E assim acontece: todos os brinquedos que sonha lhe aparecem da forma que quer e ficam acessíveis às suas mãos invisíveis e imaginárias. É verdadeiramente uma festa: as cores enchem os olhos, os cheiros tornam-se intensos e as formas tornam-se maleáveis à arte da fantasia. Cansar-se deste ou daquele e ter de descobrir um sítio para os guardar não são problemas e evitam até a mordedura da pena e do abandono a que acabam votados os brinquedos materiais. Transformar uns objetos noutros, mais bonitos ou mais úteis, ou, caso não lhe agradem, voltar atrás e reconstruir tudo de novo é um divertimento que o rapaz toma como absolutamente delicioso. E depois, não precisa de os comprar – não custam dinheiro - e pode partilhá-los com quem navegar pelas ilhas fantásticas da imaginação.
Há um brinquedo pelo qual o rapaz tem uma predileção especial: a sua bicicleta de vento. Está como qualquer outra, mas feita de nuvens e vento, maior e capaz de ir a todo o lado.
João Manuel Ribeiro,
“ O rapaz da bicicleta de vento o outras histórias”,
Concurso de Leitura Expressiva
6º Ano
O Acento Agudo Que Queria Ser Til
Era uma vez um acento agudo que sonhava ser til e por isso passava o dia deitado e a andar com a barriga para cima e para baixo.
Nós, os outros acentos, bem podíamos puxá-lo, empurrá-lo, incliná-lo para a direita. Mas nada. Fomos até buscar palavras lindas como CAFÉ, BARNABÉ, JACARANDÁ, TRISAVÓ, PÃO-DE-LÓ…
Mal o púnhamos ao alto da palavra, na posição certa, ele deixava-se cair e lá se punha a andar com a barriga para cima e para baixo, mais parecia as bossas de um camelo a caminhar no deserto.
- Eu quero ser um til! – dizia ele.
- Mas não és! Tu és um acento agudo como o teu pai e a tua mãe.
- Não me interessa nada disso! Já disse que quero ser um til e vou treinar até ser mesmo um til.
Era mesmo teimoso o raio do acento agudo! E é claro que não conseguia ser um til porque, mal subia para cima de palavras como CAMÕES, PANTALEÃO ou GUIMARÃES, escorregava e vinha parar ao chão.
Mesmo assim não desistia. Barriga para cima, barriga para baixo, treinava sem parar, sempre com o sonho impossível de vir a ser um til.
Um dia, estava o nosso acento agudo a treinar, barriga para cima, barriga para baixo, quando viu aproximar-se uma minhoca verde linda. Vinha a minhocar tal e qual como ele, barriga para cima, barriga para baixo…
O acento agudo piscou o olho à minhoca verde. Ela sorriu-lhe timidamente e apaixonaram-se perdidamente um pelo outro.
Pouco tempo depois, o acento agudo desistiu de ser um til e pediu a minhoca verde em casamento.
Casaram-se, foram felizes para sempre e tiveram vários filhos a quem deram os nomes de Gastão, Sebastião, Simão e João.
José Fanha,
“Esdrúxulas, Graves e Agudas, Magrinhas e Barrigudas”
Concurso de Leitura Expressiva
7º Ano
NINGUÉM PERGUNTOU POR MIM
Bruzende tinha ficado para trás.
Minha mãe, meu irmão e eu caminhávamos a maior parte do tempo em silêncio, em fila indiana, com passo apressado e todos os bolsos cheios de castanhas.
Minha mãe queria chegar a Montepó antes que anoitecesse.
- Valeu a pena fazer uma caminhada destas para falar com aquela mulher? – voltei a perguntar.
- Não sei o que te responda, meu filho. Como é que o meu avô apareceu ali? Era a voz dele, tal e qual. Como é possível andar uma alma tanto tempo a vadiar pelo mundo?
- Eu não sabia que as almas têm voz… Acha que valeu a pena dar tanto dinheiro àquela mulher? – insisti.
Minha mãe não me respondeu porque ouvimos os guinchos aflitos de um coelho bravo que passava no céu, apanhado por uma águia que lá nas alturas mostrava as imensas, imponentes asas abertas.
- Se eu fosse um animal queria ser águia, sonhou o António. Ninguém me apanhava.
- Acho que fiz bem em dar o dinheiro à mulher. Ela fez um serviço muito bom. Fez-me bem falar com o meu avô! Era ele, tal e qual. Sim, acho que valeu a pena dar-lhe o dinheiro. A mulher não pediu nada, eu é que lho quis dar. E não estou arrependida, bem pelo contrário. Há dinheiro bem mais mal gasto. A cara dela era tão branquinha, parecia feita de porcelana. E é muito educada, nem parece destes lados. Gostei muito de lá ter ido. Ele disse “ tira-me desta escuridão e serás recompensada.” Isso quer dizer que a nossa vida vai mudar, não achas, Abílio?
Eu não sabia responder ao monólogo de minha mãe que parecia não ter nexo nem fim.
António Mota,
“ Ninguém Perguntou Por Mim”
Concurso de Leitura Expressiva
8º Ano
A HISTÓRIA DO SENHOR SOMMER
No tempo em que eu ainda trepava às árvores – há muitos, muitos anos, há dezenas de anos atrás, media apenas pouco mais de um metro, calçava o número vinte e oito e era tão leve que podia voar – não, não estou a mentir, naquele tempo eu podia de facto voar – ou, pelo menos, quase, ou, melhor dizendo: naquela altura teria realmente conseguido voar, se de facto o tivesse querido fazer e se verdadeiramente o tivesse tentado, pois… pois lembro-me com exatidão de que uma vez não voei por um triz, era precisamente no outono, no meu primeiro ano de escola, quando voltava das aulas para casa e soprava um vento bastante forte, eu conseguia apoiar-me nele sem cair, sem abrir os braços, e tão inclinado como um saltador de esqui, ou ainda mais inclinado… e então quando chocava contra o vento nos prados ao descer a colina da escola – porque a escola ficava numa pequena colina fora da aldeia – e conseguia elevar-me um pouco acima do chão e estendia os braços, o vento levantava-me e eu podia sem esforço dar saltos de dois, três metros de comprimento – ou talvez não tão compridos nem tão altos, que importância tem isso! – em todo o caso eu quase voei, e se tivesse desabotoado o meu casaco e tivesse estendido as duas abas como se fossem asas, então o vento ter-me-ia levantado completamente, e teria planado com a maior facilidade desde a colina da escola, sobre a encosta para o vale, até lá abaixo ao lago, onde ficava a nossa casa (…).
Mas que histórias são estas sobre voos e subidas a árvores! Conversa fiada sobre as leis da gravidade do Galileu Galilei e sobre o barómetro no meu occipital. Isso faz-me confusão! Quando o que eu queria era contar outra coisa completamente diferente, a história do senhor Sommer – se é que isso é possível, pois no fundo não há nenhuma história com princípio, meio e fim, mas apenas este homem estranho, cujo percurso na vida – ou deveria eu dizer com mais precisão: cujo percurso no solo – se cruzou com o meu meia dúzia de vezes. Mas o melhor é eu começar outra vez do princípio.
No tempo em que eu ainda trepava às árvores, vivia na nossa aldeia…
Patrick Süskind,
“A história do senhor Sommer”
Concurso de Leitura Expressiva
9º Ano
O SÉSAMO
-Abre-te, Sésamo! – gritava o Raul, no meio do silêncio pasmado da assistência.
A fiada estava apinhada naquela noite. Mulheres, homens e crianças. As mulheres a fiar, a dobar ou a fazer meia, os homens a fumar e a conversar, e a canalhada a dormitar ou nas diabruras do costume. Mas chegou a hora do Raul e, como sempre, todos arrebitaram a orelha às histórias do seu grande livro.
Em Urros, ao lado da instrução da escola e da igreja, a primeira dada a palmatoadas pelo mestre e a segunda a bofetões pelo prior, havia a do Raul, gratuita e pacífica, ministrada numa voz quente e húmida, que ao sair da boca lhe deixava cantarinhas no bigode.
«Abre-te, Sésamo! – E o antro, com seu deslumbrante recheio, escancarou-se em sedutor convite…»
As crianças arregalavam os olhos de espanto. Os homens estavam indecisos entre acreditar e sorrir. As mulheres sentiam todas o que a Lamega exprimiu num comentário:
- O mundo tem cousas! ...
Urros, em plena montanha, é uma terra de ovelhas. Ao romper de alva, ainda o dia vem longe, cada corte parece um saco sem fundo donde vão saindo movediços novelos de lã. Quem olha as suas ruelas a essa hora, vê apenas um tapete fofo, ondulante, pardo do lusco-fusco, a cobrir os lajedos. Depois o sol levanta-se e ilumina os montes. E todos eles mostram amorosamente nas encostas os brancos e mansos rebanhos que tosam o panasco macio. A riqueza da aldeia são as crias, o leite e aquelas nuvens merinas que se lavam, enxugam e cardam pelo dia fora, e nas fiadas se acabam de ordenar. Numa loja de gado, ao quente bafo animal, junta-se o povo. Todos os moradores se cotizam para a luz de carboneto ou de petróleo, e o serão começa.
Miguel Torga,
“ Novos Contos da Montanha”
22 março 2012
Escritor Filipe Monteiro
Filipe L.S tem 45 anos, e é licenciado em Química Analítica pela Universidade de Aveiro desde 1988. Nascido na Freguesia de Belide, Concelho de Condeixa-a-Nova, viveu em Aveiro desde 1984 a 1995, seguindo depois para o Concelho de Vagos, onde reside até hoje.
Exerceu actividade profissional na indústria dos acrílicos numa empresa em Anadia, entre 1989 e 2009, e desde então abraçou novos projectos, dedicando-se actualmente com muita paixão a todos eles, com especial destaque para a escrita, para a astronomia, para a guitarra e para o ilusionismo, actividades com que marca o seu dia-a-dia.
Surge assim o seu primeiro livro infantil - O Menino Que Sonhava Salver o Mundo - seguindo-se-lhes dois mais ("Mestre Carbono, o Cientista" e "O Brinquedo que Queria que Brincassem com Ele"). Tem também dois livros de romance aventura concluídos, em fase de revisão.
20 março 2012
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