“O que me levou a interessar-me por Chopin foi, primeiro, a sua música que, para mim, é sublime e, em segundo lugar, a personalidade dele... fascinou-me logo que comecei a ler coisas sobre ele”, disse Cristina Carvalho.
Numa nota prévia incluída no livro, publicado pela Sextante, a escritora esclarece que este “não pretende ser uma rigorosa biografia de Fryderyk Franciszek Szopen ou Frédéric François Chopin ou, simplesmente Fryc”.
A autora sublinha, contudo, que “todas as datas e referências correspondem à verdade histórica”, embora salvaguarde a existência de “muitas omissões”, indicando ainda que “apenas quis escrever alguns apontamentos duma vida que, embora muito curta, foi incrivelmente apaixonada e apaixonante”.
“Ficcionei andamentos da vida de um homem que amo e admiro muito. Quis, assim, oferecer-lhe mais uma homenagem a juntar àquelas sem conta que já lhe foram prestadas dos mais diversos modos e através dos mais diferentes sentimentos”, justificou.
Ao longo de 177 páginas, os leitores ficam a conhecer melhor a história deste homem “extremamente sedutor, muito sensual e muito andrógino” e da sua época, das suas qualidades e limitações, amores e desamores, alegrias, amargos de boca e dores fundas, desde o seu nascimento, na aldeia polaca de Zelazowa Wola, até à morte, em Paris, a 17 de Outubro de 1849.
“Não é que Fryderik Chopin fosse um grande pianista, um virtuoso, mas era uma pessoa tão intensa, com uma alma, com um espírito tão poderoso, tão transcendente, que isso fazia dele um pianista diferente. Mesmo que ele não fosse fantástico, ascendia-se a ele próprio e, de facto, criou um estilo pianístico, uma literatura pianística completamente diferente, na época”, observou a autora.
Para escrever esta obra, que lhe levou cinco meses a compor, Cristina Carvalho admite: “Colei-me a ele, vivi com ele durante cinco meses”.
Agora, prossegue, “ainda penso muito nele, porque uma coisa é ouvirmos a sua música, as suas polonaises, as suas mazurcas, as suas valsas, os seus nocturnos, os seus concertos para piano e outra coisa é sentirmos a pessoa que está ali: como é que ele fez aquilo e porque é que fez e em que condições fez”. “Ele viveu pouco e, portanto, teve de ser muito, muito concentrado, muito intenso, mesmo muito apaixonado para poder fazer tanta coisa”, defendeu.
Do universo do compositor, faziam parte, além do compositor Franz Liszt, personagens como o pintor romântico Eugène Delacroix, a escritora George Sand, uma escocesa chamada Jane Stirling, "a mulher que mais intensamente o amou”, segundo a escritora, o violoncelista Auguste Franchomme, “muito conhecido na época”, e a condessa polaca Delfina Potocka, entre muitos outras figuras, igualmente retratadas em “Nocturno”.
Como banda sonora, durante o processo de escrita deste romance, Cristina Carvalho ouviu todos os dias música de Chopin, sobretudo “dois nocturnos, o 19 e o 27”, embora não enquanto escrevia, “isso seria demasiado forte”, comentou. Em vez disso, a construção deste romance foi acompanhada de “muitas chávenas de chocolate quente”, a bebida preferida do compositor.